PRESERVAÇÃO E SALVAGUARDA

Como medidas de preservação a implementar a curto e médio-prazo pelo Município de Castelo Branco para a valorização e salvaguarda do processo tradicional de produção do Bordado de Castelo Branco devem ser destacadas as seguintes:

Mais do que defender um específico processo da passagem do desenho para o tecido (risco), há que insistir na qualidade do desenho, condição necessária à boa execução do bordado. Assim, é urgente a necessidade de se capacitarem as bordadeiras com desenhos de maior qualidade. Talvez a compilação de bons desenhos num “Livro de desenhos” possa constituir um importante instrumento de trabalho que qualifique o bordado atual e diversifique as abordagens possíveis, sem descaracterizar a produção.

Promover, junto das bordadeiras (atuais e futuras), o processo de certificação do bordado de Castelo Branco, através de ações dirigidas que atestem a importância da legalização do trabalho artesanal e da sua qualificação. A implementação do processo de certificação do Bordado de Castelo Branco é já uma realidade desde 2018 e assegura que o bordado associado a este território e as suas bordadeiras são reconhecidas como produtoras artesanais certificadas, garantindo desta forma a proveniência e a diferenciação desta produção, salvaguardando que as ações de inovação não descaracterizarão as suas especificidades identitárias e permitindo a colocação desta produção artesanal em mercados mais atrativos e vantajosos para as suas produtoras. Este processo de certificação implicou o registo da IG - Indicação Geográfica no INPI (Instituto da Propriedade Industrial) garantindo que o nome associado a esta produção artesanal - Bordado de Castelo Branco - é vinculado ao seu território de origem, garantindo a sua especificidade e diferenciação.

A assunção do bordado como ex-libris de Castelo Branco e a sua integração nas atividades desenvolvidas pela Câmara Municipal no âmbito da candidatura a "Cidade Criativa da UNESCO" na categoria de artesanato e artes populares com ações dirigidas ao público em geral, a estudiosos e investigadores e a turistas, permitem uma abordagem alargada a esta arte e a sua divulgação por via do Centro de Interpretação do Bordado, das próprias oficinas e das suas bordadeiras.

Criação de Oficina de restauro e reabilitação do bordado - a oficina/laboratório existente no Museu Francisco Tavares Proença Júnior conta, atualmente, apenas com uma funcionária (Júlia Bispo), colaboradora essa que está próximo da idade da reforma, pelo que urge encontrar forma de dar seguimento aos trabalhos aí desenvolvidos. Necessário dar formação em restauro, tingimento de seda e bordado a grupo de bordadoras que possam assegurar a manutenção da oficina e até torná-la viável em termos económicos no futuro.

Ações/cursos de formação - no seguimento do que está a ser feito atualmente, é necessário continuar a investir na formação e requalificação de bordadoras, no sentido de introduzir o bordado de Castelo Branco a pessoas mais jovens e que possam fazer da atividade profissão, bem como trabalhar com as bordadoras existentes com vista à sua requalificação e atualização.

Criação de espaço comercial exclusivamente dedicado ao bordado de Castelo Branco no centro da cidade, onde as bordadoras que não integram o centro de Interpretação e que têm as suas produções certificadas possam escoar as suas produções e promover o seu trabalho.

Continuação do investimento do município na realização de colóquios, seminários, exposições e edições sobre esta arte emblemática de Castelo Branco, fomentando a investigação científica na área.

Continuação do trabalho com escolas e grupos de jovens/crianças, no sentido de os sensibilizar para a importância local e especificidade do bordado. Edição de materiais didáticos (livros, jogos, kits, etc).